Com 100% das urnas eletrônicas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB) está matematicamente reeleito ao cargo no Palácio dos Palmares. Ele somou 52,33% dos votos no Estado e tem a vaga garantida por mais quatro anos. Em segundo lugar, o senador Rodrigo Cunha (União Brasil) alcançou 47,67% de apoio do eleitorado. A eleição deste domingo, 30, é carregada de simbolismos para o governador reeleito. Isso porque Paulo Dantas foi alvo de uma ação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) em 11 de outubro, cerca de nove dias após liderar a disputa no primeiro turno das eleições, quando esteve a menos de 5 pontos percentuais de consagrar vitória em votação única. Batizada de Edema, a operação investiga suposto esquema de “rachadinha” — desvio de salários de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa do Estado — desde 2019 e que chegariam a R$ 54 milhões. De acordo com os agentes federais, o inquérito aponta para prática de crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, com envolvimento do governador, que foi afastado temporariamente do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Acompanhado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoiou a candidatura do emedebista no Estado, Paulo Dantas disse ser “ficha limpa”, ressaltou sua inocência e mandou recado para seus opositores, como o presidente da Câmara Arthur Lira (PP) e o próprio Rodrigo Cunha: “Vocês não são soberanos. Quem vai escolher o governador de Alagoas é o povo de Alagoas”. “Tentam, de maneira autoritária, mesquinha e perversa, montar uma grande armação contra a minha pessoa, mas eu quero dizer ao alagoano e alagoana: fui prefeito por duas vezes, deputado estadual, líder do governo de Renan Filho e estou há cinco meses no governo de Alagoas”, disse o governador, agora reeleito. Na ocasião da declaração, Dantas chegou a receber apoio público de Lula, que afirmou “jamais deixar um companheiro no meio do caminho”. Com o encaminhamento do caso do alagoano ao plenário do STJ, os ministros decidiram pela manutenção do afastamento de Paulo Dantas até o final do ano. Entretanto, no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta última semana, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso assinaram despachos revogando o afastamento e suspendendo outras imposições feitas ao governador, como a proibição de manter contato com investigados e de acesso a determinados órgãos públicos. As decisões têm validade até a Suprema Corte julgar o mérito de pedidos feitos pela defesa de Dantas.


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