Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito o 39º presidente do Brasil neste domingo, 30, no segundo turno das eleições de 2022, levando o petista ao seu terceiro mandato à frente do Palácio do Planalto – os dois anteriores foram 2002 e 2006. Na eleição mais disputada da história do país, o novo presidente terá de enfrentar um país totalmente rachado. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 98,9% das urnas apuradas, Lula tem 50,8% dos votos válidos e é considerado matematicamente eleito. Jair Bolsonaro (PL), o atual presidente da República, está com 49,2% dos votos, e ficou em segundo lugar. Pela primeira vez na história, um ex-presidente volta a ocupar o Palácio do Planalto, sem estar disputando uma reeleição.
O pleito deste ano foi marcado por uma polarização antecipada entre os dois principais candidatos. Luiz Inácio Lula da Silva recuperou seus direitos políticos em março de 2021, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações do petista. E, desde então, a disputa entre o petista e Jair Bolsonaro estava desenhada, deixando pouco espaço para a ascensão da chamada “terceira via”, que foi desidratando ao longo do processo. Nomes como o do ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil), ficaram pelo caminho. A escolha do PT por Geraldo Alckmin (PSB), que foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda que historicamente rivalizou as disputas presidenciais com os petistas, para o cargo de vice-presidente na chapa, foi um marco da campanha eleitoral e recebeu críticas.
Com a confirmação da segunda etapa de votação para a eleição à Presidência, se intensificaram as disputas judiciais entre ambas campanhas – de Lula e Bolsonaro -, que travaram uma batalha no Tribunal Superior Eleitoral por direitos de respostas e alegações de fake news. Neste sentindo, a Corte Eleitoral amplificou suas tentativas de impedir a divulgação de notícias falsas, o que levou à aprovação de uma resolução pelo Tribunal que ampliou os poderes de polícia do próprio TSE e autorizou ministros a determinarem a exclusão de conteúdos de desinformação das redes sociais, sem a necessidade de uma segunda análise do plenário ou de que partidos, coligações ou legendas tenham, obrigatoriamente, que sinalizar a publicação falsa e pedir a retirada. Da mesma forma, o acirramento das ações da Corte acabou culminando em censuras à liberdade de expressão, incluindo a própria Jovem Pan.
Em última análise, o resultado da eleição representa um revés positivo para a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva. Em quatro anos, ele foi de condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, preso por 580 dias na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, a presidente do Brasil, retomando o apoio político, 20 anos depois da sua primeira vitória. Como a Jovem Pan mostrou, 1.059 dias separam Lula da sua ruína política ao maior feito de sua história. Muitos capítulos com diversos personagens explicam a história desses mais de dois anos e dez meses em que Lula foi de presidiário à Presidência. O fato é que, neste caminho, o agora presidente eleito selou alianças jamais antes imaginadas pelo eleitorado. A maior delas, certamente, envolve Geraldo Alckmin (PSB), que foi de adversário a vice, em uma chapa que ganhou relevância no cenário político por ter uma dupla que comandou, individualmente, um dos maiores países do mundo e por quatro vezes o Estado mais rico da América Latina.
Esta é a sexta vez em que Lula disputa a Presidência da República, sendo a terceira vitória. A primeira candidatura do petista aconteceu em 1989, quando enfrentou Fernando Collor de Melo (PRN) em primeiro e segundo turnos, sendo derrotado por uma diferença de pouco mais de 4 milhões de votos. Nas eleições seguintes, em 1994 e 1998, Lula também perdeu, desta vez para Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com uma diferença superior a 20% dos votos válidos em cada uma das eleições. Em 2002, contra José Serra (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para o seu primeiro mandato, com 61,27% dos votos, o equivalente a 52.793.364 eleitores. Quatro anos depois, em 2006, o petista foi reeleito com 58.295.042 votos – então recorde do Brasil – em uma disputa contra Geraldo Alckmin (PSDB), candidato a vice-presidente em sua chapa na eleição deste ano.


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