Com uma inflação de mais de 100% ao ano, a Argentina colocou em circulação na segunda-feira 22 a nota de 2 mil pesos. A previsão era de que fosse lançada apenas nos últimos dais do mês, mas com o dinheiro valendo cada vez menos, o Banco Central da República Argentina (BCRA) autorizou a antecipação da medida.
Considerando as taxas de câmbio paralelas, comumente usadas na Argentina, a nova cédula vale cerca de US$ 4, ou R$ 20. Pela taxa oficial, supervalorizada em razão das restrições impostas pelo governo e pelos controle cambiais, conforme o Bloomberg, vale cerca de US$ 8,50.
Embora a nova nota represente uma melhoria em relação à de 1 mil pesos, até então a de maior valor disponível no país, ainda desapontou economistas e cidadãos que pediam e esperavam por notas de até 10 mil pesos. Para pagar contas e fazer compras de mercado, as pessoas precisam sair com pilhas de dinheiro.
Segundo a imprensa argentina, a rápida desvalorização do peso causou transtornos logísticos para clientes, empresas e bancos, que tiveram que abrir novos cofres para acomodar mais notas para abastecer os caixas eletrônicos.
A emissão da nota de 2 mil pesos, que estampa a imagem dos médicos Cecilia Grierson e Ramón Carrillo, precursores no desenvolvimento da medicina na Argentina, assim como o edifício do Instituto Nacional de Microbiologia Doutor Carlos Malbrán, foi anunciada em fevereiro.

Os preços ao consumidor subiram 109% em abril, a taxa mais alta desde 1991. Os aumentos galopantes de preços, juntamente com uma seca recorde, devem levar a economia argentina à recessão antes das eleições presidenciais deste ano. Economistas estimam que a inflação anual poderá chegar a 150% nos próximos 12 meses.



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