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Barroso nega pedido para adiar julgamento sobre a descriminalização do porte de drogas

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, negou o pedido de lideranças da bancada evangélica do Congresso para que o julgamento sobre a descriminalização do porte de drogas para consumo próprio fosse adiado.

O caso volta a ser analisado pelo plenário da Corte nesta quarta-feira, 6.

Segundo o magistrado, o Supremo não vai decidir sobre a liberação das drogas.

Mas sobre os parâmetros para dizer o que é caracterizado como tráfico ou porte para consumo pessoal.

“Não vamos liberar a maconha.

Eu sou contra as drogas e sei que é uma coisa ruim e é papel do Estado combater o uso de drogas ilegais e tratar o usuário”, disse o ministro.

Barroso também reforçou aos parlamentares que o Congresso derrubou a pena de prisão para o porte de drogas e disse que o grande problema na lei em vigor é a falta de critérios objetivos para diferenciar o traficante do usuário.

“Se um garoto branco, rico e da zona sul do Rio é pego com 25g de maconha, ele é classificado como usuário e é liberado.

No entanto, se a mesma quantidade é encontrada com um garoto preto, pobre e da periferia.

Ele é classificado como traficante e é preso. Isso que temos que combater”, afirmou Barroso.

“E é isso que será julgado no Supremo esta semana.”

Como o site da Jovem Pan mostrou, o STF retoma nesta quarta o julgamento do Recurso Extraordinário 635.659.

Que trata da descriminalização do porte de drogas para uso pessoal.

A Corte está próxima de formar maioria  já com cinco a favor e um contra a descriminalização e estabelecer critérios para distinguir usuários de drogas de traficantes.

No entanto, há divergências entre os ministros em relação a quem fará a definição e qual será a quantidade máxima de droga permitida.

A análise do caso com repercussão geral reconhecida será retomada com o voto do ministro André Mendonça, após pedido de vista.

Além do magistrado, também devem votar os ministros Nunes Marques, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Dias Toffoli.