A Rede de Observatórios em Segurança Pública apontou que, no ano passado, pelo menos cinco pessoas negras foram mortas por dia no Brasil em ações policiais. Ao todo, foram 3.29o mortes em operações policiais realizadas na Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo em 2021. Dessas vítimas, 2.154 eram pessoas negras, o que representa 65% do total. Em entrevista à Jovem Pan, o advogado criminalista especializado em segurança pública, Emerson Tauyl, disse que o levantamento é muito subjetivo porque 54% da população do Brasil é negra: “O Brasil é o país mais miscigenado do mundo. Muita gente não sabe, mas o passaporte mais procurado pelo tráfico internacional é o de brasileiros. Os dados são importantes, mas a gente tem que levar em consideração que o próprio país tem essa miscigenação”. Em São Paulo, o estudo destaca a redução da letalidade policial após o uso de câmeras nas fardas dos agentes. Ainda assim, a maioria dos mortos são negros e a média é de um morto a cada 72 horas no Estado.
Tauyl, que atua como advogado na Baixada Santista, disse ainda que falta amparo e um apoio maior por parte do governo aos profissionais da segurança pública. Segundo ele, um juiz tem de meses a anos para julgar um caso, um delegado tem dias e meses para apurar um crime, enquanto que o policial militar tem frações de segundos para decidir se aperta ou não o gatilho.



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